O ESPAÇO EM JOHN STEINBECK E GRACILIANO RAMOS:
AS VINHAS DA IRA E VIDAS SECAS
Maria Júlia Bueno dos Santos Silva - Univ. Mackenzie
Vidas Secas, de Graciliano Ramos, além de ser um romance social, é também um romance do espaço. Seu tema dominante é o espaço agreste, a natureza adversa revelando as misérias políticas, econômicas, sociais e culturais do nordeste brasileiro. O sertão e a seca expulsam o homem, tornando-se ameaçadores e fazendo com que as personagens se desloquem, continuamente, de um lado para o outro, em busca de melhores condições de vida.
O meio físico é um grande peso que oprime as personagens, pressionando-as de uma maneira tal que até parece o destino. Encontramos um mundo parado e fechado, onde as relações sociais viram fatos naturais, onde o vínculo direto com o meio anula a liberdade e ninguém pode escapar às suas pressões sem se destruir.
Em Vidas Secas, Graciliano Ramos soube ligar paisagem regional e ação romanesca em unidade indissolúvel e tratar da dicotomia espaço-ação. Graciliano é extremamente fiel à realidade, aos hábitos e costumes do Nordeste. Não é que fosse pessimista, mas a realidade do Nordeste é que é amarga, árida e seca. Suas personagens gritam, lutam e têm consciência de que sobrevivem numa sociedade injusta. E é assim que Graciliano tenta, senão melhorar, pelo menos denunciar as condições precárias da vida nordestina. O retrato, sem retoques, que Graciliano faz do Nordeste, o distingue dos outros autores regionais, pois, para ele, o paraíso agreste não existe, simplesmente, porque o que existe é o agreste, onde se constata a infinita miséria dos homens. Graciliano faz uma profunda análise psicológica das personagens, além de analisar os aspectos sociais e geográficos do Nordeste. O perfeito equilíbrio entre os seres, homens ou animais, e a paisagem gera, em Vidas Secas, uma interação quase perfeita entre eles, como se fossem uma coisa só. É a “fatalidade implacável de uma natureza torturadora...” e “...cujos personagens sabem tirar da maior desgraça o alimento para as suas esperanças”[1], escreve Wilson Martins, e mais além ela continua, dizendo que, Graciliano fala de uma fatalidade que é aceita como se fosse normal ou como se fosse uma sina da qual ninguém escapa.
Vidas Secas é uma narrativa localizada, geograficamente, no “polígono das secas”, e como tal, não poderia deixar de mostrar as adversidades das condições específicas do cenário nordestino, pois, sua problemática social está ligada diretamente ao meio, “a caatinga”, o habitat onde transcorre o romance. As personagens transformam em ações a pressão exercida pelo espaço sobre elas. Às vezes, o espaço propicia a ação e, outras vezes, o espaço provoca a ação, quando as personagens vêem-se à mercê de certos fatores que lhe são estranhos. Assim, o espaço interfere como liberador de energias secretas contidas pelas personagens, originando o conflito entre o homem e o seu meio.
Vidas Secas é, portanto, o romance em que Graciliano procurou denunciar a degradação humana decorrente das condições sociais e ecológicas adversas e o processo da revolução da estrutura social e econômica, na região árida do sertão, no Nordeste brasileiro. É a saga do nordestino obrigado a migrar de sua terra, sem liberdade de escolha, empurrado pelo destino e em busca das condições mínimas para uma vida decente. Cíclica como a seca do nordeste, a narrativa se inicia com o caminhar dos retirantes em busca de um lugar menos castigado pela seca da caatinga nordestina e se encerra com esses retirantes abandonando a fazenda que lhes serviu de refúgio temporário e onde vivem servindo o dono ausente, durante algum tempo, e procurando outro lugar onde possam sobreviver. Nada viria a mudar: no anseio de “mudança” ou de “fuga”, as forças motrizes que impulsionam as mudanças e a vida dos sertanejos em seu ambiente hostil são a estiagem e a opressão social, além da permanente esperança de uma vida melhor, em um outro lugar, que ofereça melhores condições de sobrevivência a esses seres humanos, que surgem com seu rudimentarismo psicológico e o mutismo introspectivo, que se manifestam muito mais por gestos que por palavras, com grande dificuldade de comunicação. E é por isso, que o vaqueiro Fabiano tem sua situação de isolamento piorada. Vivendo só, em grandes extensões de terra, com distâncias difíceis de vencer, está impossibilitado de qualquer relação social. Encontra-se separado do resto do mundo, quer pela sua condição de vaqueiro, que implica a condição de solitário, quer por força das distâncias geográficas, que dificultam e, até mesmo, impedem o contacto com os outros.
Vidas Secas abre um universo mental, esgarçado e pobre, de um homem, uma mulher, seus dois filhos e uma cachorra, tangidos pela seca e pela opressão dos que podem mandar: “o dono” da fazenda, o “soldado amarelo...” O meio arrasta a uma desagregação, os destinos inúteis de Fabiano, Sinhá Vitória, Baleia e os meninos.
Graciliano “insinua a vigência de uma homologia entre o vaivém do clima sertanejo e o caráter bipolar do seu estado afetivo. Ou chuva, ou seca. Ou o frio úmido (o “inverno”) ou o calor sem tréguas. Cada um com as suas conotações existenciais próprias,” diz Alfredo Bosi[2].
Em Vidas Secas, Graciliano se lança no fogo cerrado das lutas de classe, do lado do oprimido, verificando a correspondência entre a paisagem sócio-natural e os traços espirituais e comportamentais das personagens enfocadas – valores e misérias das “vidas secas”. Há, assim, um confronto das personagens com a natureza e com a própria sociedade em que vivem, enfrentando situações de risco e obstáculos difíceis de serem superados. É a exploração econômica, que submete o indivíduo, tanto quanto, à crueldade da natureza, que o condena a viver uma vida primitiva, rudimentar, a perspectiva de morte tornando-se para ele a única certeza. Sua aparência de flagelado espelha a degradação do universo em que vive. A ameaça permanente do nomadismo, exige dele deslocamentos constantes e involuntários.
Pode-se dizer que, o verdadeiro protagonista alegórico de Vidas Secas está no espaço social e físico, pois a família sertaneja tem suas possibilidades bloqueadas pela natureza adversa e tão hostil, e o inóspito e agreste sertão nordestino torna-se o principal responsável pela periódica expulsão dos sertanejos de suas terras. O drama de Vidas Secas é, justamente, o entrosamento da dor humana na tortura da paisagem. É a realidade de Fabiano que é sufocado pelo meio geográfico e social e esmagado pela paisagem e pelos outros homens; é a opressão do pobre e a resistência da própria vida às forças negativas do meio. É a “sina” inevitável, para a qual existe uma aceitação passiva, um fatalismo arraigado.
A denúncia social está implícita na própria natureza da realidade retratada, nessas regiões áridas do Nordeste brasileiro. As desigualdades sociais existentes, o sentimento de perda dos valores tradicionais, pelo impacto da decadência econômica do campo e da ascensão da civilização industrial, agravados pelos fenômenos periódicos das secas e a paisagem agreste contribuem para a decadência rural e consequentemente, uma realidade social e humana também decadentes e precárias, desses retirantes nordestinos. Os destinos desses migrantes estão sujeitos à exploração social, à solidão, às frustrações de suas mais ínfimas aspirações, às dificuldades de superar as situações mais simples de miséria e de humilhação e à marginalização.
Nessa luta heróica contra o meio avassalador, Fabiano representa, além dos compromissos com o Nordeste brasileiro, o homem de todos os tempos, espoliado por seus semelhantes. Daí, mais que o problema social do Brasil, fica a verdade de uma condição humana sofredora, solitária, incomunicável com seus semelhantes, indivíduos que precisam transpor a fronteira que os leva ao humano, pois há sempre uma esperança no coração desses injustiçados, desamparados e excluídos.
As Vinhas da Ira são um romance de protesto social, que conta sobre a peregrinação de uma família de migrantes, os Joad, de Oklahoma para a Califórnia, com o real propósito de ser um documento de denúncia social. A Califórnia torna-se a terra das promessas quebradas, pois, os Joads, a tinham na conta de Terra Prometida, “a terra de leite e de mel”, onde todos encontrariam trabalho, bons salários e o que comer para não morrerem de fome, pois os fazendeiros migrantes não podiam sobreviver em uma terra árida e seca, onde não podiam plantar o suficiente para se alimentar. Em contraste com as regiões extremamente áridas, onde o solo seco e hostil, cheio de erosões e tempestades de vento, em Oklahoma, surge a Califórnia, que é fértil e com abundante vegetação; em seus pomares e campos crescem as frutas, algodão, vegetais e plantas de todos os tipos. A Califórnia é a Terra Prometida.
Além de ser uma luta entre o homem despojado de todos os seus bens e expulso de suas próprias terras pelos tratores que devastavam tudo, é também uma luta contra a natureza adversa, seca e árida. Para os fazendeiros migrantes, ser arrancado de sua terra é uma experiência destruidora, quase uma morte em si mesma. Aí é que são vistos os efeitos da tecnologia, sobre esses fazendeiros migrantes, que ainda vivem ligados à meios antiquados. Talvez essa seja a razão pela qual eles são pobres e, provavelmente, destinados a permanecerem assim, pois, somente as máquinas poderiam tornar a terra aproveitável e produtiva. É um período doloroso para eles, mas a promessa de dias melhores, os conduz para frente. Os valores humanos estão esquecidos. Em uma terra de fartura como a Califórnia, eles estão famintos. Os donos das terras exploram os trabalhadores. O homem tem que enfrentar as adversidades trazidas pela natureza e por outros homens. É um período de considerável mudança social e econômica nos Estados Unidos, os quais tentavam sair da Grande Depressão. São os abusos e sofrimentos de uma classe inteira de pessoas, uma história crescente de coragem e determinação.
As tempestades de poeira, as terras vastas, áridas e secas das fazendas de Oklahoma, onde o que era verde, rico e fértil perde a vida e se torna poeira; sem umidade nenhuma a terra vermelha se torna desbotada e a terra cinza se torna poeira esbranquiçada. O vento varre as nuvens de chuva e manda a poeira revolta e crescente pelo céu. Os migrantes não podem lutar contra a natureza hostil. Mas o desejo de ter uma vida digna, conveniente para o ser humano, os impele para frente, esperando ansiosamente encontrar uma nova vida, em um lugar melhor, onde são necessários trabalhadores para apanhar pêssegos, laranjas e uvas, além de algodão. Mas, não sabem o que os espera. São surpreendidos pela solidão, medo e desconfiança, quando seu sonho de um futuro dourado na Califórnia, é destruído pela realidade brutal de suas vidas aí. As injustiças econômicas e desigualdades sociais, o sofrimento das famílias migrantes que morriam de fome, sem lar e miseráveis, que a seca e a Grande Depressão aumentaram tão drasticamente, fazem com que o “eu” se torne “nós”. Juntas as pessoas resolvem problemas que não poderiam resolver sozinhas. Ganham poder e força. Sua união é um hino de louvor à solidariedade. Por isso, sua principal crença era que, a todo custo, a família deveria permanecer sempre junta, unida como se fosse seu 11º mandamento.
Há “ira” no retrato cruel que John Steinbeck faz de banqueiros, de proprietários de terras, de xerifes locais e outros representantes do capitalismo, na amarga demonstração à respeito dos custos humanos do progresso industrial. Ele sugere que, por baixo da superfície dura e fria da cultura individualista da nação Americana, correndo como um rio, jaz o espírito de Ma Joad, a mãe da família Joad, um espírito de família e comunidade que uma vez tocado, poderá redimir a todos. Os Joad, que começam como uma unidade familiar individual, egoísta e limitada a si mesma, avançam para a generosidade e o sentimento de que pertencem, a uma unidade muito maior, a humanidade como um todo. A desgraça os une e enobrece, lhes dá o sentido de humanidade, de solidariedade humana.
A peregrinação dos Joad é um rol de perdas. Perderam, a caminho da Califórnia: seu lar, seu passado, alguns membros da família e grande parte de seus pertences. Perderam seus sonhos e suas esperanças. A jornada dos Joads é uma peregrinação em direção à expectativa de uma nova consciência. Suas novas vidas, suas perdas verdadeiras, os conduziam à descoberta que os redimia em sua interrelação como membros de uma grande família: o “nós” em lugar do “eu”.
Os Californianos sabiam que, se as pessoas estavam morrendo de fome, elas fariam qualquer coisa, por qualquer salário, para conseguir alimento. Assim, eram oferecidos, aos migrantes, cada vez menores salários, que mesmo pequenos, eram ainda melhores do que nada. Mas, mesmo assim, eles deveriam continuar em frente, embora, para aquelas pobres famílias de migrantes, alcançar seu sonho de uma vida decente na Califórnia e lá conseguir sobreviver, fosse quase impossível diante dos obstáculos que surgiam a cada passo. Por fim, quando já estavam exauridos em suas forças, a natureza adversa agride novamente. Os ventos gelados eram sinal da aproximação da estação do frio e das chuvas. Nuvens de tempestade alarmante moviam-se em locais úmidos e frios por sobre aquela região. Ventos fortes e chuva fria gelavam os ossos dos trabalhadores, em lugar do sol causticante e da poeira. Ensopada e gelada, a chuva batia forte sobre o telhado. Então, começava a inundação gradativa da terra. Dia após dia, a chuva era um aguaceiro sem fim. Os campos tornavam-se lagos. Havia lama por todo lado. A umidade penetrava pelas roupas, nas tendas, em todos os poros. Parecia como se nunca mais fosse secar. Enquanto as águas subiam, os migrantes fugiam para os terreiros mais altos. A correnteza empurrava tudo, fortemente. As pessoas tremendo de frio, sem possibilidade de escapar, juntavam-se, aglomeravam-se nos celeiros. Doenças e outros males se espalhavam. Vinha a miséria e eles não conseguiam alívio para seu sofrimento. O medo se tornava ira. Eles estavam morrendo de fome, de medo, de frio, de doenças e as águas das enchentes subiam mais alto e mais alto, invadindo tudo.
Finalmente, este povo sofrido veio a saber o que significava ser humano, ser solidário, amar ao próximo e doar-se para o bem do outro. Trata-se da busca humana de auto-realização, não só como grupo, mas como indivíduos isolados.
John Steinbeck expressou a esperança de que a generosidade humana pudesse resgatar esses miseráveis migrantes sem lar e tentou mostrar que a salvação desse mundo está no coração humano. O sentido da vida é mais compreendido e realizado no contexto de uma comunidade e todos os sonhos e valores compartilhados.
No cotejo dos dois textos narrativos e na perspectiva comparativa de ambos encontramos similaridades. Há similaridades situacionais, de fatores relativos à base político-social, e similaridades, quanto ao espaço literário, nas duas narrativas. É, portanto, o objetivo deste trabalho, estabelecer as similaridades entre as duas obras, que, a partir do espaço, na condução da problemática enfocada nos dois casos em questão, é o principal causador dos conflitos psicológicos, econômicos e sociais vividos pelas personagens das duas famílias de migrantes.
Em ambos os casos, As Vinhas da Ira e Vidas Secas, encontramos o homem contra a natureza. Na preponderância do ambiente externo, está o homem sujeito à uma paisagem agressiva e desafiadora, ao clima árido e seco, à hostilidade do meio físico, à pobreza externa, chegando quase ao ponto de morrer de fome, à miséria de uma realidade degradante.
Ora uma família de “Okies”, a família Joad, que como os judeus, povo escolhido de Deus, deixam a sua terra, o Egito, e vagam no deserto, procurando em vão pela Terra Prometida, a “terra de leite e de mel”, partido de Oklahoma em direção à Califórnia, numa peregrinação em direção à expectativa de melhores condições de vida; ora uma família de retirantes nordestinos, a família de Fabiano, que, da mesma forma, como os judeus, deixa a sua terra e parte, numa peregrinação em direção à expectativa e busca das condições mínimas para uma vida decente na Terra Prometida, em direção ao sul.
Uma, enfrentando as tempestades de poeira, os solos secos e hostis, cheios de erosões, das regiões extremamente áridas de Oklahoma, a outra enfrentrando, os sertões do nordeste brasileiro, castigado pela seca, a caatinga árida e hostil, uma natureza inóspita e opressora. Na verdade, a mesma caracterização do ambiente agreste.
Em ambos os casos, como conseqüências dessas paisagens embrutecedoras e devastadoras e de todas as adversidades motivadas por elas, existe a ameaça permanente do nomadismo, que exige deslocamentos constantes e involuntários dessas pobres famílias, que são obrigadas a abandonar seus pertences, bem como, seus hábitos e costumes, para submeter-se a um destino incerto, que os conduz, de um lugar para outro, numa experiência destruidora, impulsionados que são, por uma busca constante.
Ambos estão ligados à terra, à natureza, que primeiro, sufoca o homem com a seca, os ventos de poeira, os solos áridos e depois, com as chuvas, as enchentes, os aguaceiros devastando tudo.
Ambos estão sufocados pela autoridade do governo, seja ela representada pelos “bancos”, pelos “tratores” ou pelos “acampamentos” ou ainda, pelo “patrão” ou pelo “soldado amarelo”, sofrendo injustiça social e opressão social, com baixos salários, passando fome, vivendo na miséria e humilhação e com falta de estabilidade.
Em ambas as narrativas, encontramos o espírito de solidariedade entre os membros das famílias, que apesar de viverem tantos conflitos, seguem sempre em frente com esperança de dias melhores, uma esperança que sempre renasce.
A estrutura das duas narrativas está dividida em três partes: primeiro, o período da seca, o ambiente agreste e hostil, que os expulsa de suas terras; a segunda parte é a peregrinação de ambos, em busca de outras terras em melhores condições de subsistência e na parte final, tentando encontrar a Terra Prometida, sofrem todo tipo de adversidades. Enquanto os Joads estão sofrendo as conseqüências terríveis das enchentes, a família de Fabiano passa o “inverno”, época das chuvas numa fazenda abandonada, desesperando-se com a chegada das “aves de arribação”, que prenunciam a chegada de outro período de seca. Assim, as duas obras terminam da mesma maneira, como começaram, isto é, em fuga, um deslocamento constante.
Em ambas, as narrativas os cachorros de estimação morrem de maneira extremamente dolorosa. O primeiro, da família Joad, é brutalmente atropelado. E segundo, Baleia, o cachorro da família de Fabiano, é morto por ele com um tiro, por apresentar sinais que mais pareciam hidrofobia.
As duas obras se apresentam como denúncia, como um documento social, mais que uma peça de ficção, pois, tratam do problema social de trabalhadores migrantes desempregados e desabrigados, denunciando a degradação humana decorrente de condições sociais e ecológicas adversas e o processo de revolução da estrutura socio-econômica e política. A problemática humana, isto é, a fome, a miséria, a necessidade de fuga, o anseio de mudança são uma constante nas duas obras.
Ambas as famílias caminham em busca de dias melhores, fugindo e resistindo sempre a tudo, à fatalidade do meio que as sufoca, resignados sempre, com esperança, unidos entre si, esses injustiçados que diante da desgraça aprendem a compartilhar seus sonhos e valores, aprendem o sentido da humanidade, de generosidade, aprendem o que é ser homem, o que é ser humano.
Referências Bibliográficas:
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[2] BOSI, Alfredo. Céu, Inferno. In: Graciliano Ramos. São Paulo: Ática, 1987 (Col. Escritores Brasileiros).
p. 389